— Capacitadora
-Sim.-Era muito lindo, o céu incrivelmente estrelado, vaga-lumes voando por toda parte, o parque de manhã já era bonito, mas de noite era mil vezes mais.-Vamos, é do outro lado do rio.
-Certo, Rob.
Ele segurou minha mão e nós passamos pela pequena ponte que cortava o rio.
-Ali, está vendo? Naquela árvore?
-Uma casa na árvore? Isso não é infantil?
-Nossa como você é detestável, idiota, até me arrependi de traze-la aqui.
-Desculpinha, Rob.-Falei cinicamente.
Na árvore tinha uma pequena escada embutida, por onde subimos até a casa da arvore que estava muito bem organizada e arrumada, lá havia um grande telescópio
-Vem, deixa eu ajustar isso aqui rapidinho.-Enquanto ele ajustava o telescópio, eu olhava admirada o sorriso que saia da boca de Robert, ele realmente ficava muito feliz ali.-Você descobriu que eu gosto de cantar, mas não descobriu o que eu verdadeiramente amo, resolvi te mostrar porque você é muito intrometida, logo logo iria me seguir e do jeito que é idiota poderia se meter em problemas e eu como sempre sou sua baba.
-Você é um ridículo, só isso, não sei como alguém como você pode gostar de uma coisa tão delicada.Parece uma mulher.-Falei dando gargalhadas.
-Cale a boca, idiota!-Disse bravo.- Como não gostar disso?
-Você sabe que eu estou brincando né?
-Que seja, idiota.Quer ver ou não?
-Claro que quero.
Foi até o telescópio e olhei pela lente, pode ver aquele céu, estrelas e constelações... tudo muito lindo.
-Essa é a constelação de Órion, é a mais conhecida e mais perspectivel.
-É magnifico.Eu estou encantada.Obrigado, Rob.-Eu disse levemente corada.
-Idiota.-Ele disse dando um leve sorriso de canto de boca.
Aquilo, aquele momento, tudo.Foi o teu jeito idiota de sorrir que ganhou o meu coração.
Mas? Qual será o verdadeiro motivo de Robert me levar aquele local? Um flash back veio em minha mente e lembrei quando Robert invadiu meu quarto...talvez... talvez... ele esteja com o mesmo proposito.
-Esthela? Esthela? Você está pálida, está se sentindo bem?
-Quantas garotas você "ganhou" com esse lugar?
-Como é que é?
-Robert, eu não sou essas meninas! POR FAVOR!-Robert me olhou assustado e depois começou a dar gargalhadas.-Pare de rir, seu ridículo! Estupido! Eu te odeio!PARA DE RIR!
Ele limpou suas lagrimas de tanto rir e falou:
-Seu limite de estupidez realmente foi ao nível máximo!Esthela, você é muito idiota!
E continuou as gargalhadas...
Como pude por um momento pensar em estar "apaixonada" por um idiota desses? Sim, concordava com Robert, eu era uma IDIOTA!
-Já acabou a graça?-Eu disse ríspida.
-Sim.-Suspirou.-Agora acabou. Esthela não preciso nem de lugar e nem de nada para "ganhar" uma garota, não faço esforços para isso, se é que me entende.
-Como você é nojento!-Disse enojada.
-Ahh, Esthela, você é muito idiota, um dia você irá sentir desejo, tesão, libido...
-Cale a boca, por favor!-Disse corada.
-Virgenzinha.-Disse começando novamente suas gargalhadas.
-Nossa!Nossa que raiva!Como eu te odeio! Como você consegui ser tão irritante?
-Podemos nos beijar sempre que quisermos...-Disse Robert.-Você quer?
-Eu... eu...-As palavras me escaparam e eu já não sabia como agir, com aqueles olhos pretos a me fitar, estava tão perto, que eu sentia sua respiração, seu halito, seu cheiro.Tudo tão intenso, porque o amor é tão intenso?A gente se perde como se dormisse num filme que acabou de começar...
-Tudo bem, Esthela.-Então ele se afastou, senti um alivio mas ao mesmo tempo uma dor no peito.O que era aquela palpitação estranha?
Robert voltou para as estrelas e eu permaneci ali parada, me recuperando.
Meus olhos estavam pesados e minha respiração lenta.Eu estava muito cansada mesmo, meu dia tinha sido cansativo, era natural que eu estivesse sonolenta.
-Robert, não me deixe sozinha.-Consegui balbuciar enquanto caia em sono profundo.
No dia seguinte quando acordei, estava frio, mas Robert estava me aquecendo com o calor de seu corpo envolto no meu.Me senti um pouco constrangida pela "posição" que estávamos.
Me lembrei de ontem, fiquei aliviada por ter adormecido, não saberia o que falar para ele.
Nós tínhamos que ir para casa, então resolvi acorda-lo.
-Rob?-Bastou eu me mover um pouco, para que ele percebesse e logo se levantou.Um pouco constrangido notei pela suas bochechas rosadas, o que fez eu corar imediatamente e de novo aquela palpitação doída.
Ele organizou o local e fomos embora, calados, o caminho inteiro.
Sera que ele tinha ficado bravo? Sera que ele acha que eu adormeci de propósito? Sera que ele espera por alguma resposta?Essas perguntas me rodeavam e atormentava.
Chegando em casa, Robert foi direto para seu quarto, eu fiz o mesmo.Entrei logo no chuveiro, estava precisando de um banho, aquela água quentinha caia sobre meu corpo, me aquecendo, era bom. O tempo tinha mudado repentinamente, estava frio aquele frio suportável mas também notável.
Depois do banho, me deitei na cama, onde senti minhas costas estalar, realmente minha noite não foi nada confortável.
*Batida na porta*
-Pode entrar.
-Esthela, minha querida, te trouxe um chá.
-Obrigada Tia.
-Você...onde passou a noite?-Disse constrangida.-Estava com Robert?
-Ah,sim.-Falei corada, essa não era a melhor hora para ficar corada.-Ele me mostrou o telescópio, acabei adormecendo por lá, nada de mais.-Acabei dando ênfase nas ultimas palavras, o que aliviou o ambiente.
-Me sinto aliviada, não por não querer você e o Robert juntos, ao contrario, almejo isso.-Senti meu rosto quente.-Mas por saber que não estão fazendo nada de errado.
-Garanto que não.
-Fico feliz, vou deixar você descansar.
-Sim, obrigado.-Ela assentiu e se foi.
Em pleno sábado, não tinha nenhum programa diferente, o único que havia era tomar chá e dormir, talvez Robert tivesse algo melhor...ah, era só pensar nele que eu ficava nervosa, mas eu não posso evita-lo.
Tomei o chá em um gole.
-Ai!-Senti queimar por dentro.Me levantei e fui até a porta do quarto de Robert, bati na porta e nada.
-Robert?-Abri a porta.-Robert!-Falei corada.
Ele saia do banho, não estava sem roupa, nem sem toalha, mas estava sem camiseta, aquilo me deixou nervosa e envergonhada.
-Pode entrar.-Disse enquanto pegava uma camiseta para vestir, me olhou e sorriu.Por reflexo já estava de costas para ele.-O que foi, Esthela? O gato comeu sua linguá?.-Minhas mãos tremiam, me sentei na cama, me sentia patética.-Ou sera que nossa garotinha está crescendo.-Falou maliciosamente.
-Nossa que raiva! Qualquer coisa, que eu tive, sei lá, já acabou, imbecil.
-Então seja melhor que eu fique sem camisa, não acha?-Falou sorrindo e se sentando ao meu lado.
-Vista-se.-Falei aborrecida, ele obedeceu dando leves risadinhas.
-O que você quer ou pretende fazer no meu quarto?
-Nada, idiota, imbecil, foi um erro vir aqui.-Falei me levantando fervorosamente, ele me segurou pelo pulso.
-Pode dizer.
-Tédio.-Falei enquanto ele me puxava para me sentar novamente.
-Senta ai, irei te fazer companhia.
-Quem disse que quero sua companhia?-Ele me ignorou e pegou seu violão, um bloco de anotações e uma caneta e começou fazer melodias e canções.Fiquei ali, observando-o:
É esta solidão que vem de ti
Que dói e faz mal se você não está aqui
Não é fácil respirar e não sentir
Que o mundo é um castigo
Se já não estou contigo
Que me mata estar assim ♫♪
Há memórias que voltam como lágrimas
Junto ao medo de voltar a me apaixonar
Minha voz tinha sido perdida
Até mesmo o sentido de falar
Basta ouvir, basta ver
O amor volta a começar ♫♪
*Toque de celular*
Pego meu celular e vejo:
Esthela, pode me encontrar no Coffee às 17:30hrs?
Sim, Tyler.
O.K, estou ansioso.
Robert permaneceu ali, imóvel, concentrado, nem notou as trocas de mensagem e talvez nem minha saída.
Na hora marcada já estava com meu cappuccino na mão, meu ponto fraco, café ♥
-Oi, Esthela, pontual ou eu que cheguei atrasado?
-Não, eu amo café.-Falei levantando a caneca.
Ele sorriu e me cumprimentou com um selinho.Me assustei e Tyler percebeu minha reação.
-Desculpa Esthela, eu...
-Não, por favor.
-Esthela?
-Sim?
-Você não me ama, né?-Falou com alguma certeza na voz.
Aquela situação, aquela pergunta,tudo estava embaraçoso, procurei respostas em minha mente, mas nada vinha, então balbuciei baixinho:
-Não sei.-Ele me olhou desanimado.
-Entendo.-E segurou uma das minhas mãos que estava sobre a mesa.-É compreensível, eu te deixei.sem respostas e as coisas mudam, nem sempre ficam intactas, mas eu senti uma dor, acho que não tem dor pior do que aquela que te aperta o coração e você não sabe o porquê.Mas dá saudade, veio a resposta, uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás, eu estava apaixonado por você.-Porque isso não foi dito antes? Antes de eu me perder nos meus próprios sentimentos? Antes quando eu tinha certezas do que sentia, mas não...agora, agora foram ditas, hoje que só me resta incertezas.-O que tanto pensas Esthela?.-E me olhou fixamente, como se procurasse respostas nos meus olhos, já havia ali escondido no canto de sua boca um pequeno e meigo sorriso.
-Em tudo.Porque sera que terminou assim?
-Não terminou, não quero que termine assim, por isso estou disposto.
-Disposto? Disposto há que?
-Te conquistar novamente.-E deu um largo sorriso, percebi naquele momento que ele ainda segurava minha mão, involuntariamente, dei um sorriso.
Não custava tentar, nos decepcionamos, mas a vida sempre nos da uma nova chance de recomeçar, em algum ponto de tudo aquilo, lá no fundo, perdido, soterrado, talvez houvesse um coração que batesse forte e acreditasse naquele amor.Mas, algo bloqueava.O que poderia ser?
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