Fechei os olhos e pedi um favor ao vento: Leve tudo que for desnecessário. Ando cansado de bagagens pesadas. Daqui para frente apenas o que couber no bolso e no coração.'
- Cora Coralina.
-Eu te esperei por tanto tempo...minha Esthela.
Acordei assustada me perguntando se foi um sonho, será que ouvi isso mesmo? Ou era apenas um sonho?
Enfim...
-Dormiu bem querida?
-Sim, sim.
-Ah que bom, sobre a escola... vai demorar mais um pouco para organizar tudo então acho que você vai ficar mais alguns dias sem aula.
-Ah tudo bem... sabe tia você é a pessoa que eu mais confio no mundo você sabe.
-Sim sei querida.
-Ser abandonada novamente me faz pensar o que eu faço de errado?
-Você não faz nada de errado querida, sua mãe te abandonou por motivos pessoais urgentes..
-Vocês sempre me vem com esse papo de "pessoais urgentes" vocês acha que eu não sei que ela foi embora pra viver com outro homem?
-Isso foi o que as pessoas falavam, mas não é a verdade!
-E qual é a verdade?
-Querida você só precisa saber que sua mãe te ama, como Beatriz te ama, enfim todos amamos você!
-Você defende minha mãe só porque ela é sua irmã, como uma mãe pode abandonar sua filha?
-Ela não te abandonou, deixou você com a prima dela, Beatriz sempre adorou você e aceitou cuidar de você como fosse sua segunda mãe.
-E ai me abandonou novamente! Belas mães que eu tenho, nossa, uma melhor que a outra!
-Não é bem assim...
-E você vai me abandonar também?
-Não fale isso Esthela isso me corta o coração, eu te amo...
Ela veio em minha direção para me abraçar.
Era revoltante minha vida, primeiro abandonada pela mãe, em relacionamentos só me ferro, e depois abandonada pela segunda "mãe" ... oh vidinha!
-Vocês encerrar esse assunto.
-Ok.
-Então tia estava pensando se não é uma boa ideia eu arrumar um emprego, sei lá, mas que não atrapalhe meus estudos é claro.
-Acho uma ótima ideia, quanto mais cedo se encaminhar melhor.
-Hoje vou dar umas voltas, por enquanto só analisar mesmo quem sabe...
-Claro, vai sim é bom para você querida, quem sabe não acha amigos ou...
-Ou nada.
Ela sorriu e eu me despedi.Ficar pressa em casa não era meu forte, nesses momentos minhas amigas me faziam muito falta, mas não tinha outro jeito...
Andando pela cidade vi muitas placas de "precisa de funcionários" , "há vagas", "seu primeiro emprego aqui" ... como era uma pequena cidade não era grandes empregos, estavam entre os empregos, ajudantes em lojas e lanchonetes/restaurantes.Eu optei em entrar em uma loja que dizia "vaga para balconista", eu não tinha nenhuma experiência mas não custa tentar.
-Olá, em que posso ajudar?
-Ah oi, é que eu vi a placa de vaga para balconista.
-Ah, uma candidata... você tem experiência?
-Não..
-Então porque acha que eu a contratarei?
-Porque vocês precisam de uma funcionaria, e eu preciso do emprego.
-Você não é a única.
-Acho que essa escolha tem que vim do seu chefe...então posso deixar meus dados?
-Eu sou o dono.
-Ah...
-Mas se você quiser pode me dar o seu numero.
-Acho que isso não vai ser necessário.
-Tá contratada.
-O que?
-Tá contratada, não era isso que você queria?
-Ah é que ...
-Eu tenho uma vaga e você quer um emprego então pronto.
-Eu pensei que teria que passar por uma entrevista.
-Ah é mesmo, você já escutou músicas.
-Já.
-Pronto, ta contratada.
-Só isso?
-Isso é uma loja de músicas, instrumentos essas coisas, não tem segredo.
-Ah tá bom se você esta dizendo.Quando começo?
-Agora mesmo.
Nesse momento entra alguns jovens, ele se dirige até os jovens e começam a conversar sobre bandas e mais bandas...Eu vou até o balcão.
"Como esse cara é louco nem me conhece e já me contrata"
-Então é isso que você vai levar Joe?- ele se referia há alguns CDs.
-Sim Ruan.
-Então esse é o seu nome... estranho eu não saber o nome do meu chefe.
-Esqueci desse detalhe e qual é seu nome.
-Esthela.
-Joe olhe a nova balconista, Esthela.
-Ah, prazer Esthela, Joe. Espera um pouco não era você que estava espiando o Robert? É sim você é a prima do Robert não é mesmo?
-Sim, sou eu. Da onde você me conhece?
-Ah eu estava com ele naquele dia que você o seguiu.
-O que eu não...
-Prima do Robert, ah então eu já conheço até a família da minha funcionaria. Não preciso saber mais nada.
-É mais eu preciso, quanto você vai me pagar.
-Meu deus, mal começou e já quer saber do salário, tá vendo isso Joe.
Joe ri.
-Ela só está com medo, porque do jeito que você é louco pode ser que não a pague.
-Você me conhece Joe, sabe que eu não sou desses né? E você mocinha se quer trabalhar pra mim tem que confiar.
-Como assim, eu vou trabalhar sem saber o quanto vou receber?
-Isso, exatamente... eu irei te pagar ao ver seu trabalho.
-Ta agora você pirou de vez!
-Relaxa ele é assim mesmo mas com o tempo você se acostuma.
Passo a tarde no meu novo "emprego", e quando estava escurecendo Ruan fala:
-Já está tarde, é melhor você ir para casa, já estou fechando a loja afinal.
-Ok, minha tia já deve estar preocupada.Você fecha a loja cedo assim ?
-Não, mas hoje eu preciso resolver uns assuntos.
-Ah sim.
Nos preparamos para fechar.Enquanto Ruan fechava a loja:
-Tenho que estar aqui que horas?
-As oito.
-Ok então, boa noite chefinho.
-Boa noite.-falou sorrindo.
Caminhando pela cidade anoite, vi um pouco da minha antiga cidade, ambas eram parecidas, com seus barezinhos e clubes que iluminavam a escuridão e rasgavam o silêncio da pequena cidade deixando a mais animada, era bem diferente do que de dia que era silenciosa e pacata. Acordo dos meus pensamentos por alguém me chamando:
-Esthela!
-Robert?O que está fazendo aqui?
-Mais que droga menina, agora eu tenho que dar uma de baba!
-Que como assim?
-Minha mãe ficou todo preocupada por você não voltar pra casa, e me obrigou a te procurar igual um idiota!
-Olha eu não sou mais nenhuma criança, e fale direito comigo, seu grosso!
Eu me viro irritada, quando ele segura meu pulso firme e me puxa bruscamente:
-Vamos para casa logo, você só me causa problemas.-disse ríspido e agressivamente.
"Como alguém que antes me amava poderia me tratar daquela maneira? O que acontecera para ele mudar tanto assim?" -pensava enquanto ele me puxava para casa.
-Sabe eu estou aqui pensando... você gostava de mim antes não é mesmo?-como ele não disse nada eu continuei- Como você ou melhor quando você parou de gostar de mim?
Ele parou de andar.
-Vamos parar de falar "desse" passado.
"O que? "desse" passado?".
Logo chegamos em casa e Robert foi direto pro seu quarto, minha tia foi logo perguntando onde ele me encontrara mais ele me parecia atordoado e nem a respondeu.
-Me encontrou perto do meu trabalho.-eu disse orgulhosa.
-Trabalho? Então você conseguiu um?
-Sim, sim.-disse feliz.
-Mais que maravilha, conte-me desse emprego.
-É na loja de CDs e Instrumentos, ficarei no balcão e ajudarei os clientes também.
-Ruan ? A loja de Ruan certo?
-Sim, sim.
-Ah ele é um bom rapaz.Que bom que você conseguiu o emprego.
Eu, minha tia e meu tio conversamos mais um pouco sobre o meu novo emprego e depois fomos jantar. Robert não desceu desde que chegamos e eu fiquei preocupada então resolvi eu mesma ir falar com ele.
Foi até o quarto dele bati na porta.
-Robert? Robert?-como ele não abriu resolvi entrar mesmo assim.
Quando entrei vi Robert deitado com fones no ouvido, escutava musica sorrindo... não sei como aconteceu mas aquele sorriso me fez sentir algo que nem eu mesma sabia explicar. Quando Robert percebeu minha presença levantou rapidamente.
-O que faz aqui?
-Como você não desceu, vim ver como você estava.
-Estava preocupada comigo?-disse ele maliciosamente, estranhei seu tom de voz.
-Sim.
-Porque Esthela?-agora sua voz soava carinhosamente, isso me espantava.
-Porque... você é meu primo.
Ele sorriu desapontado.
-Primo...sai do meu quarto.
O certo era eu retrucar mas eu não o fiz.
-Está bem, boa noite Rob.
Ele sorriu por eu me lembrar do seu apelido que ganhará de mim quando eramos crianças, mesmo ele sendo super grudento dizendo que me amava eu gostava dele, eu adorava ouvir ele falar sobre aventuras que ele faria quando crescesse, sua imaginação era iluminada... esse era meu Rob.
Naquela noite foi dormir feliz, adormeci lembrando do sorriso de Robert, tão meigo mas ao mesmo tempo tão misterioso.

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